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Notícias

03.07.2018

Hospital Nossa Senhora de Fátima deve voltar a funcionar ainda no segundo semestre deste ano

Em 2017, a população jandaiense recebeu como “uma bomba” a notícia de que o Hospital Nossa Senhora de Fátima, com mais de cinco décadas de atuação, fecharia até dezembro.


Um dos motivos para o fim das atividades era o alto custo para manter o hospital em funcionamento, o que inviabilizava a operação. Além disso, pesavam ainda a diminuição do quadro clínico, aumento do volume de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e a estrutura do prédio, que precisava de adaptações.


Houve esforços para que o hospital continuasse funcionando, e uma das alternativas era transformar a instituição em entidade filantrópica, o que permitiria firmar convênios com o poder público, facilitando o acesso a recursos.


Como o processo era lento e burocrático, a situação foi se agravando ainda mais. Em março deste ano, os funcionários do Hospital Nossa Senhora de Fátima receberam aviso prévio de demissão. O recado era claro, e dizia que até meados de maio a instituição fecharia suas portas, o que de fato ocorreu.


Após tantas notícias ruins, no entanto, surge uma luz no que parecia ser o fim do túnel, e um grupo composto por médicos de Arapongas assumiu o hospital, que passa por reforma e deve reabrir ainda no segundo semestre deste ano.

Um dos integrantes do grupo é o cirurgião vascular Ricardo Kuromoto. A esposa de Ricardo e porta-voz do grupo, Andrea Kuromoto, conversou com a reportagem do Jornal Agora, explicou como surgiu o interesse em assumir o hospital e também falou sobre como deve ser o atendimento após a reinauguração.


Apesar de Ricardo ser de Arapongas, o cirurgião mantém uma clínica em Jandaia do Sul há pelo menos 15 anos. “Tivemos a primeira clínica aqui em 2003, mais ou menos”, revela Andrea.

“Na verdade temos um número grande de vidas que passaram por nós durante esses anos todos. A maioria dos pacientes que nós atendemos aqui a gente acaba operando e transferindo para Arapongas”, explica.


A ideia de assumir um hospital surgiu há alguns anos, conta Andrea, porém o prédio estudado pelo grupo era muito antigo e a reforma teria custo alto, o que fez com que Kuromoto abandonasse a ideia.


Há alguns meses, quando a informação sobre o fechamento do Hospital Nossa Senhora de Fátima veio a público, o grupo começou a estudar se seria viável assumir a instituição.


“Esse prédio começou a ser desocupado, e já tinha sido cogitada a ideia da gente pegar, mas por um determinado tempo não achei viável. Depois de muita conversa, fizemos um levantamento de custo e do que precisava ser feito, além do que Jandaia do Sul e o Vale do Ivaí comportavam, então resolvemos assumir o desafio”, ressalta Andrea.


“Faz pelo menos três ou quatro meses que a gente vem fazendo um estudo bem minucioso em relação a assumir esse hospital. Tanto é que se você chegar lá hoje ele está praticamente demolido por dentro. O prédio vai passar por todas as reformas necessárias para que atenda a resolução da Anvisa, para que ele seja um hospital totalmente adequado para funcionar”, acrescenta.


A reforma já está em andamento, e Andrea fez questão de ressaltar ao Jornal Agora que a estrutura do hospital será toda reformulada. Os equipamentos não serão reaproveitados. “Alguma coisa do mobiliário vai ficar, como maca, algo assim, mas o restante foi desativado”, diz.


Antes de fechar as portas, o hospital tinham 48 leitos, porém quando for reaberto terá capacidade menor por enquanto. A princípio, o grupo que assumiu a administração pretende trabalhar com casos de baixa complexidade até tudo ser adequado, e não há previsão de quantos leitos estarão ativos na reinauguração.


“A princípio não temos UTI, vai ser feito procedimento de triagem, mas vai funcionar como hospital maternidade, de baixa complexidade. A médio prazo trabalharemos com média complexidade, e posteriormente vamos fazer um estudo para saber o que poderemos receber”, declara Andrea.


SUS


Como o hospital é particular, será necessário fazer credenciamento para atender casos repassados pelo SUS. “Vamos tentar os credenciamentos de todos os convênios, também do Cisvir. A ideia é fazer uma parceria com as prefeituras e com os secretários de saúde do Vale do Ivaí, apresentar nosso projeto”, declara Andrea.


Ao Jornal Agora, ela relatou ainda a preocupação do prefeito Ditão Pupio em ajudar o hospital. “A gente teve uma recepção muito boa do prefeito, que está empenhado em fazer uma parceria com o hospital. A única coisa que a gente está buscando é formas na lei de adequar esse recurso”, diz.


“Parece que não, e a população tem uma certa dificuldade de entender, mas não tem como a prefeitura abrir verba para um hospital privado sem que tenha uma série de processos no caminho.


Mas a gente tem tido uma resposta boa, tem pessoas da prefeitura muito empenhadas, a secretária de Saúde, Elza Maria Ferraz, não mediu esforços para que isso viesse a acontecer e eles estão em uma busca constante de abrir atendimento público-privado”, complementa.


Nome


Uma pergunta que surgiu durante a entrevista foi se o nome Nossa Senhora de Fátima será mantido pela nova administração do hospital. “O nome vai se manter. Nós temos muito respeito pelo Jeronymo Martinez, fundador.



O centro cirúrgico vai passar de um para três centros, e continuará levando o nome do médico, como forma de gratidão a tudo que ele fez pelo município”, conta Andrea.



“A Ivone Martinez, viúva dele e dona do prédio, não tem poupado esforços, aliás. Ela é a grande mentora do hospital reabrir, tanto no quesito financeiro como na forma de apoiar, de querer colocar para funcionar. Um dos pedidos pessoais dela para mim foi que a gente não deixasse a população jandaiense desassistida”, completa.



Ainda ao Jornal Agora, Andrea relatou que está buscando formas de a população ser atendida, mas o ponto de referência de Jandaia do Sul continuará sendo o Pronto Atendimento até que toda a questão burocrática seja resolvida.


Contou ainda que o grupo que vai gerir o Nossa Senhora de Fátima não negociou a reabertura do hospital com a gestão anterior, e sim com a proprietária do prédio.


“Não os conheço, e teremos uma outra gestão, outra forma de trabalhar, outro corpo clínico. Vamos fazer a locação do imóvel, e o que vai ficar das gestões anteriores é só o nome mesmo”, aponta.

Reabertura

Ainda não há uma data definida para quando o hospital deve voltar a funcionar. A expectativa é de que a reforma física do prédio seja concluída em aproximadamente dois meses. Em seguida, será instalado o sistema digital, com prontuário eletrônico, que possibilitará o funcionamento da instituição.


Segundo Andrea, após a parte física vem a seleção e formação do pessoal que trabalhará no prédio. “Acredito que vá um tempinho ainda, não sei precisar quanto tempo, mas em dois meses, dois meses e meio a gente dê cara para o hospital e comece a abrir as portas”, conclui Andrea.


Moradores


A expectativa para a reabertura do hospital é alta por parte dos jandaienses. Afonso Leopoldo, 63, que mora na cidade desde 1996, se diz ansioso. “O hospital é tudo para nós. Nós precisamos dele”, declara.


Ademir Rodrigues, 60, concorda com Leopoldo. “Vai ser ótimo quando reabrir. A situação está crítica, e qualquer caso mais grave tem que correr para Apucarana, correndo o risco de no meio do caminho a pessoa falecer. O hospital é mesmo muito importante pra nós”, aponta.










Por: Jornal Agora

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