Edilaine Casadei rebate secretário de Saúde e diz que teve seu número de atendimentos reduzido.
A polêmica que teve início no dia 15 de maio com a suspensão dos atendimentos da pediatra Edilaine de Oliveira Casadei na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Morumbi acaba de ganhar um novo capítulo.
Na última semana, a médica procurou a reportagem do Jornal Agora para rebater os argumentos apresentados pelo secretário de Saúde, Josias Gonçalves, em entrevista publicada na edição 258 do impresso.
Na entrevista, o secretário afirma que a suspensão nos atendimentos ocorreu por conta de um pedido de férias da médica. A pediatra, no entanto, tem outra versão dos acontecimentos e contesta as afirmações de Gonçalves.
“O que aconteceu foi que no dia 15 de maio, às 16h, me ligaram da Secretaria de Saúde dizendo que os atendimentos estavam suspensos. Perguntei o que houve e me disseram que era por conta de problemas internos na Prefeitura”, afirma Edilaine.
“Aí houve o tumulto e me ligaram da UBS perguntando se tinha acontecido alguma coisa comigo, e eu perguntei se tinham sido avisados pela secretaria que os atendimentos foram suspensos. Os atendentes me disseram que não, e eu falei que a própria secretaria havia suspendido”, complementa.
“Aí eu ia viajar no dia 17, como fui e tirei uma semana de férias. Mas as UBS foram avisadas dez dias antes que eu ia sair naquele dia. E aí na entrevista do secretário eu acho que ele cometeu alguns equívocos, porque no dia do tumulto eu estava na cidade, não estava de férias”, declara.
Edilaine alega ainda que Gonçalves falou publicamente que ela pediu 30 dias de licença. “Eu não pedi licença nenhuma. Tirei uma semana, voltei e os atendimentos continuaram suspensos. Alguém me ligou para explicar o que aconteceu? Não, não ligou. Eu não sei o que aconteceu para a suspensão”, dispara.
E os atendimentos, alega a pediatra, continuaram suspensos, mesmo com a entrevista do secretário afirmando o contrato. Ao Jornal Agora ela confirmou que há aproximadamente 15 dias recebeu um novo contrato, diminuindo o número de consultas.
“Mas gente, eu assinei um contrato novo há três meses. E de repente me apresentam outro, reduzindo os atendimentos. Me recusei a assinar, porque não concordo. Não me explicaram o motivo de diminuírem as consultas. O secretário não me ligou, não falou nada. Cheguei até em falar para o município arrumar outra pediatra”, declara.
No entanto, Edilaine afirma que assinou o novo contrato por conta dos moradores, que a encontravam na rua e pediram para que ela voltasse. A médica relata que antes fazia 300 consultas por mês, e o novo contrato fez com que esse número caísse para pouco mais de 220.
“Eu só voltei a atender na última terça-feira (19), mas a secretaria falava publicamente que tudo tinha sido normalizado, só que comigo não. Não pedi licença alguma, não deixei de avisar ninguém. As mães ficaram bravas porque não foram atendidas, e com razão.
Mas, sempre que eu atraso, eu aviso nos postos. Agora imagina deixar de avisar que eu vou atender? Nunca, em hipótese alguma, e eu gostaria de deixar isso bem claro”, ressalta a pediatra.
“E também gostaria de deixar claro que a culpa não é minha de não atender mais 16 consultas por dia e sim 12, pois tudo isso partiu da secretaria. Eu acredito que o secretário cometeu um equívoco, em falar que houve aquele problema porque eu saí de férias e não avisei”, completa.
Agora, com os atendimentos retomados, a médica ainda espera um esclarecimento da secretaria em relação ao ocorrido. “Ninguém me chamou para conversar. Eu estava à disposição e tive uma surpresa grande com a suspensão nos atendimentos. O Josias, como secretário, eu esperava que se posicionasse, e ainda espero”, conclui Edilaine.