AO VIVO
OUÇA A NOSSA PROGRAMAÇÃO
Os três norte-americanos que foram
libertados pela Coreia Norte chegaram aos Estados Unidos na madrugada desta
quinta-feira (10), acompanhados do secretário de Estado, Mike Pompeo. Eles
foram recepcionados pelo presidente Donald Trump, pouco depois da aterrissagem
do avião.
Trump e a primeira-dama Melania
encontraram os três na porta do avião, na base de Andrews da Força Aérea, em
Maryland, perto da capital Washington. O vice Mike Pence também foi ao encontro
do trio.
Kim Hak-song, Kim Sang-duk e Kim
Dong-chul foram libertados na quarta-feira (9), mesmo dia em que Pompeo se
reuniu com o líder norte-coreano Kim Jong-un para acertar os últimos detalhes
da reunião de Kim com Trump. O local e a data já
foram definidos, mas ainda não foram divulgados.
Segundo a agência de notícias
norte-coreana KCNA, Kim disse que aceitou uma sugestão dos Estados Unidos para
libertar os presos norte-americanos e deu anistia a eles. O líder norte-coreano
afirmou ainda que sua reunião com Trump será "histórica" e um
"excelente primeiro passo para a promoção do desenvolvimento da situação
positiva na península da Coreia e a construção de um bom futuro".
Antes da chegada aos EUA, os três
ex-prisioneiros divulgaram uma nota de agradecimento, através do Departamento
de Estado, na qual disseram: "Gostaríamos de expressar nosso profundo
apreço ao governo dos Estados Unidos, ao presidente Trump, ao secretário
Pompeo, e ao povo dos Estados Unidos por nos trazerem para casa. Agradecemos a
Deus, e a todos os nossos familiares e amigos que rezaram por nós e pelo nosso
retorno. Deus abençoe a América, a maior nação do mundo".
Os três americanos eram acusados de
atividades anti-estatais. Dois deles foram presos em 2017 e um em 2015 e,
segundo a imprensa sul-coreana, tinham sido retirados de um campo de trabalho
em abril e transferidos para um hotel nos arredores de Pyongyang.
A propensão da Coreia do Norte de
prender americanos e usá-los como moeda de troca era conhecida. Muitas vezes,
os detidos foram libertados após a visita de personalidades americanas. Os
motivos para os americanos viajarem para a Coreia do Norte são muitos: turismo,
negócios, trabalho humanitário ou atividades missionárias.
O destino dos ex-prisioneiros recebidos nesta quinta, no entanto, é bastante diferente do de Otto Warmbier, outro americano libertado pela Coreia do Norte em 2017. Condenado a 15 anos de trabalhos forçados, acusado de roubar um cartaz com slogan político em uma área reservada aos funcionários do hotel em Pyongyang onde estava alojado, ele ficou detido por 17 meses.

O estudante, de 22 anos, chegou aos
EUA em junho de 2017 em estado de coma, que segundo autoridades norte-coreanas
foi provocado por uma combinação de botulismo com uma pílula do sono, e morreu
seis dias depois. A família dele está processando
a Coreia do Norte por “torturar e assassinar” o jovem.
Veja a seguir quem são os três ex-prisioneiros que chegaram aos EUA nesta quinta-feira.
Kim Hak-song
Kim Hak-song trabalhava para a
Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang quando foi preso em maio de
2017. Kim estava envolvido num projeto de desenvolvimento agrícola na fazenda
experimental do instituto. Ele foi preso na estação de trem de Pyongyang quando
embarcava em um trem que o levaria para sua casa, na cidade chinesa de Dandong.
As autoridades o acusaram de cometer "atos hostis" contra o governo.
Kim, de cerca de 50 anos, nasceu em
Jilin, na China, e estudou em uma universidade da Califórnia, segundo a rede
CNN, que cita um ex-colega de classe. De acordo com essa fonte, ele havia
voltado para a China após cerca de dez anos nos Estados Unidos.
A universidade norte-coreana, fundada
por evangelistas cristãos estrangeiros, abriu suas portas em 2010 e tem alguns
professores americanos. Seus alunos geralmente são membros da elite norte-coreana.
Kim Sang-duk
Kim Sang-duk, também conhecido como
Tony Kim, foi preso em abril de 2017 no principal aeroporto de Pyongyang,
quando se preparava para deixar o país depois de dar aulas por várias semanas.
Ele também trabalhava para a Universidade de Ciência e Tecnologia.
Kim era professor da Universidade de
Ciência e Tecnologia de Yanbian na China, perto da fronteira com a Coreia do
Norte. Segundo o site da instituição, era professor de contabilidade.
De acordo com a agência de notícias
sul-coreana Yonhap, ele teria cerca de 60 anos. Participava de programas para
ajudar crianças em áreas rurais. Yonhap o descreveu como "um homem muito
dedicado".
Seu filho indicou no Facebook que a
família não recebeu notícias desde a sua prisão.
Kim Dong-chul
Kim Dong-Chul, um empresário de cerca
de 60 anos, foi sentenciado em abril de 2016 a 10 anos de trabalho forçado após
sua prisão por subversão e espionagem.
Ele foi preso em outubro de 2015,
quando recebeu um pendrive com dados relacionados a atividades nucleares e
outras informações militares, segundo a agência oficial norte-coreana KCNA.
Em entrevista à CNN em janeiro de
2016, Kim explicou que recebeu o material de um ex-soldado norte-coreano. Ele
acrescentou que era naturalizado americano e morava em Fairfax, na Virgínia.
Contou ainda que administrava na
época uma empresa de comércio e de serviços de hotelaria e negócios em Rason, a
zona econômica especial da Coreia do Norte, perto da fronteira entre a China e
a Rússia.
Um mês antes de seu julgamento, ele
apareceu em uma coletiva de imprensa organizada pelas autoridades
norte-coreanas para pedir desculpas por ter tentado roubar segredos militares
em conluio com a Coreia do Sul. Os serviços de inteligência sul-coreanos negaram
a informação.